Disco de Vinil
Estórias em Vinil
Capa do disco Djiu Di Galinha, de José Carlos Schwarz

Djiu Di Galinha

Djiu de Galinha (1976), o único álbum que José Carlos Schwarz gravou em nome próprio, deve o seu título ao tema nele incluído e que significa Ilha das Galinhas. Integrando o arquipélago dos Bijagós, na costa da Guiné-Bissau, a Ilha das Galinhas funcionou como colónia penal para presos políticos em tempos coloniais. Foi lá, enquanto cumpria uma pena devido às atividades de guerrilha que desenvolvia em prol do PAIGC, que José Carlos compôs o tema. Mas a contribuição de José Carlos para os objetivos do partido de Amílcar Cabral ocorreu principalmente por via da música. No ano anterior à sua prisão (1972) tinha fundado o grupo Cobiana Jazz, cujo impacto junto do povo guineense tinha sido enorme, desde logo porque se baseava em ritmos tradicionais, mas também pelo sentido de modernização trazido pela utilização de instrumentos eletrificados. O uso da língua guineense em vez do português foi também fundamental: os ditos populares, cujo sentido não era totalmente alcançado pelas autoridades portuguesas, eram uma forma de veladamente consciencializar as populações para a urgência da luta pela independência. Transferido da Ilha das Galinhas para um confinamento mais rigoroso na sequência da descoberta de um plano de fuga, Schwarz só seria libertado após o 25 de Abril. Em reconhecimento do seu contributo para a independência do país, é-lhe atribuído pelo governo o cargo de Diretor do Departamento de Arte e Cultura. Mas cedo o sentido crítico do músico se volta para a ação das novas autoridades, que via afastarem-se dos ideais de Amílcar Cabral. A sua música começava a tornar-se incómoda. É possivelmente por isso que é enviado para Cuba, com o pretexto de ali estabelecer a embaixada da Guiné. E seria no aeroporto de Havana, em 1977, ao regressar de uma viagem ao seu país, que José Carlos viria a falecer num desastre de avião. Tinha apenas 27 anos. O país ficava órfão de uma figura que, no imaginário popular, tinha devolvido a esperança e identidade a um povo durante um dos seus períodos mais difíceis. Na capa do álbum, José Carlos aparece acompanhado por Miriam Makeba, amiga e companheira de tournê que participa no disco e escreve a nota de homenagem da contracapa.

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