Disco de Vinil
Estórias em Vinil
Capa do disco de vinil Canto da Boca, de Sérgio Godinho

Canto da Boca

Fonograficamente falando, Sérgio Godinho inaugura a década de 80 com a composição da banda sonora para Kilas, O Mau da Fita, um filme de José Fonseca e Costa em que o músico do Porto foi também coargumentista. Mas no que toca a discografia em nome próprio, estava já na calha o sucessor de Campolide, que seria lançado pela Polygram - através da subsidiária Philips - em 1981.

Canto da Boca, o sétimo álbum de Sérgio Godinho, trazia uma nova fornada de grandes canções, algumas delas ainda hoje "obrigatórias" nos alinhamentos dos espetáculos ao vivo do multidimensional artista. O álbum, para além do sucesso comercial, foi considerado o Melhor Disco Português do Ano pela Casa da Imprensa e mereceu uma crítica elogiosa de Arnaldo Saraiva no então recém-fundado Jornal de Letras, um texto cujo título - "Um SG gigante" - era um jogo de palavras com um familiar nome de maço de cigarros.

Brincadeiras de palavras sempre foram, aliás, uma das predileções na escrita de Sérgio Godinho, e as canções de Canto da Boca - como o próprio título do álbum - não fogem a essa regra. Fértil no exercício lúdico é por exemplo a letra daquela que é provavelmente a canção mais memorável do disco: Com um Brilhozinho nos Olhos. Nela o cantor descreve o enlevo que um novo amor provoca. Grande parte da genialidade de Sérgio Godinho está em conseguir tratar um tema sem o banalizar: no caso desta canção, capturar a essência do amor sem nunca referir a palavra... amor.

Partilhar:
← Voltar