Como manusear e conservar discos de vinil
Manusear e conservar corretamente um disco de vinil é a melhor forma de garantir que ele continuará a proporcionar uma audição agradável. Mas não é só o prazer sonoro que estará a ser assegurado, as boas práticas de uso e conservação ajudam também a proteger o valor financeiro da sua coleção de vinil. Conheça os princípios básicos que ajudam a manter de boa saúde o seu investimento musical.
Manusear um disco de vinil
A regra de ouro no que toca ao manuseamento de um disco de vinil é proteger a todo o custo a sua superfície. Deve-se sempre segurar um disco pelo seu bordo, posicionando os dedos perpendicularmente em relação ao mesmo, evitando pousar os dedos diretamente na zona de leitura. Os nossos dedos, mesmo estando limpos, segregam naturalmente uma gordura que, uma vez em contacto com o disco, poderá fazer com que partículas de sujidade ali possam aderir. Assim, desde o momento em que retiramos o disco da sua bolsa protetora ao momento em que o devolvemos à sua capa, devemos sempre segurá-lo pelo bordo.
Para evitar o contacto com sujidade, pó ou outras impurezas, convém não pousar o disco em outra superfície que não seja o tapete do gira-discos. E para que esta se conserve minimamente limpa, o ideal é o gira-discos possuir uma tampa, para que a acumulação de partículas aerotransportadas se mantenha a níveis mínimos.
Ao segurar um disco de vinil - e uma vez que a forma ideal de o fazer pede alguma destreza - é também aconselhável evitar movimentos bruscos a fim de prevenir acidentes, como deixar cair o disco ou fazê-lo embater em algum objeto rígido.
Estar atento a líquidos que se encontrem na proximidade e que possam entornar-se sobre o disco é também algo a ter em consideração. De preferência, evitar a presença dos mesmos na zona onde se encontra o gira-discos – os equipamentos elétricos também agradecem - ou onde os discos se encontrem guardados.
Como armazenar discos de vinil
O local
Tirando o manuseamento incorreto, as principais ameaças à conservação de um disco de vinil são ambientais. A humidade - responsável pelo aparecimento de bolores na superfície do disco e de manchas nas capas – e a luz solar direta – que pode causar empenos nos discos e descoloração nas capas – são os piores inimigos do vinil, pelo que a escolha do local onde a coleção ficará armazenada é a principal decisão a tomar. Num mundo ideal, uma sala com controlo de temperatura e humidade seria ótima, mas com um mínimo de bom senso, as condições ideais podem ser mantidas facilmente.
O móvel
Depois de assegurado um local seco, ventilado e resguardado de luz solar forte, há que considerar o móvel de conter ou de pousar que será utilizado. Não interessa tanto a modalidade escolhida – estantes e prateleiras estão entre as mais comuns. O que convém assegurar é que seja um móvel estável e que os discos fiquem armazenados em posição vertical e não comprimidos entre si.
Guardar os discos horizontalmente, em pilhas, faz com que o peso possa causar empenos naqueles que estão mais pressionados ou o esmagamento de certas características mais salientes das capas e encartes, bem como das próprias lombadas mais largas.
Quanto a evitar a compressão excessiva dos discos armazenados verticalmente, uma boa regra para perceber os limites razoáveis é a de conseguir retirar e colocar um disco no seu lugar sem encontrar resistência.
De uma forma geral, quanto mais proteção oferecer o móvel a utilizar, tanto melhor: estantes com “teto” e paredes laterais são as mais indicadas. Quanto a espaços completamente fechados, com portas, devem ser usados com alguma precaução pois a não circulação de ar pode motivar o aparecimento de fungos e bolores.
Notar ainda que, de uma forma geral, a madeira é mais “amiga” dos discos de vinil do que o metal, por ser menos rígida e assim ser menos propícia a danificar as capas com a utilização contínua .
Capas e bolsas
O primeiro nível de proteção de um disco de vinil é a sua capa. É ela que o protege dos choques imediatos de transporte e manuseamento em contexto comercial, profissional ou de lazer. Assim - e sendo as capas dos discos um dos maiores atrativos do objeto em si - há que considerar protegê-las também, desde logo porque proporcionam uma defesa imediata contra o derrame de líquidos e o contacto com objetos abrasivos, riscadores ou contundentes.
Para isso existem as tradicionais capas exteriores de plástico. O polietileno ou o polipropileno são os polímeros constituintes mais frequentes, sendo que o pvc está a cair em desuso pela potencial libertação de plastificantes, pelo que será melhor evitar capas feitas deste material.
Para uma melhor proteção do disco de vinil, podem considerar-se, para além das capas exteriores tradicionais, as que têm uma dobra autocolante na margem da abertura e que permitem “selar” o disco. Mas estas também apresentam desvantagens pois são menos práticas para um uso frequente, são geralmente mais finas e têm o risco de a aprte autocolante colar-se acidentalmente à capa, podendo danificá-la.
Quanto a bolsas interiores, as que têm capacidade antiestática são a melhor escolha, pois essa propriedade evita a atração de partículas de pó e a acumulação, como o nome indica, de eletricidade estática, que depois se repercute na audição. Existem tipos diferentes de capas antiestáticas, sendo algumas feitas apenas de plástico, outras apenas de papel (geralmente menos eficazes mas mais ecológicas) e outras que combinam plástico antiestático e papel de arroz: estas últimas são as mais eficazes.
Quando a bolsa interior original é um insert de papel ou cartão, pode-se considerar, caso as dimensões permitam, uma bolsa interior adicional.
Finalmente, uma boa prática para garantir um resguardo adicional ao disco de vinil é fazer com que a abertura da bolsa interior não fique alinhada com a abertura da capa do disco, minimizando assim a possibilidade de introdução de pó no seu interior.
Longa vida ao vinil
Se forem seguidas, as sugestões aqui apresentadas irão garantir o bom estado da sua coleção de vinil durante muito tempo. Em caso de dúvida, o bom senso é o principal guia. A tecnologia relativa a esta área está em constante desenvolvimento e trará certamente novas formas de cuidar das nossas coleções de discos. Por aqui, ficaremos atentos e não deixaremos de recomendar novidades interessantes que possam surgir neste quadrante.